• Luisa

Marie Curie

Um dia como hoje, 25 de Junho faz 117 anos a Marie Sklodowska Curie recebeu o título de doutorado. Escrevi a história do experimento dela para uma disciplina e decidi compartilhar com vocês para comemorar o recebimento do diploma dela.


Marie Curie, a representação feminina na história da ciência



Em meados de 1898, “Os Curie” propuseram o nome “radioatividade” aos raios emitidos pelo urânio, contrariando o nome dado pelo o cientista Becquerel o qual chamou o fenômeno de “hiperfosforescência”, na época, ele explicou que essa “radiação do urânio era de natureza eletromagnética, semelhante à luz (refração, reflexão, polarização)”. Nota-se que na ciência, novos estudos se abrem a partir de outros, como no caso da radioatividade, que veio ser estudada depois dos estudos sob os raios X e depois que o cientista Gerhard Schmidt - o qual teve a contribuição para a radioatividade - uma vez que ele conseguiu estudar que o elemento tório também emitia radiações semelhantes ao urânio e que isto poderia ser diferenciado pelo método elétrico, o qual consiste em medir a condutibilidade do ar sob a influência dos raios que se estuda [1], mas ele não continuo nessa linha de pesquisa.




A Marie Curie, no início das suas pesquisas também descobriu que as emissões de radiações penetrantes pelo tório eram semelhantes e no final de 1897, pouco tempo depois do nascimento da sua filha -Irène- decidiu iniciar a sua pesquisa para receber o título de Doutor, que na época não era alcançado mediante cursos de pós-graduação e sim pela defesa de tese. O tema escolhido pela Marie Curie foi o estudo das radiações do urânio através do método elétrico. A sua tese tem o título de

"Pesquisas sobre substâncias Radioativas" a qual foi defendida na Universidade de Sorbonne, Paris. O interessante da história é que, na época, Marie Curie não pertencia a nenhuma instituição cientifica, mas seu marido, Pierre Curie, era professor de uma escola de engenharia. O diretor da escola, autorizou a Marie utilizar um canto na sala o qual funcionava como deposito. A pesquisa da cientista foi realizada entre os anos de 1897 e 1900. A hipótese da tese da Marie Curie foi que “a emissão da radiação penetrante é uma propriedade atômica”. Ela estudou que essa radiação, era uma propriedade atômica, típica a certos elementos químicos, e que “a intensidade da radiação é proporcional à porcentagem desses elementos químicos nos compostos estudados”. A hipótese da propriedade atômica explicava muitos fatos, mas entrava em conflito com as observações de alguns minerais, já que alguns materiais eram mais radioativos que seu próprios componentes como é o caso da pechblenda (uma variedade, provavelmente impura de uraninita, dela é retirado o urânio) e a calcolita (mineral que contém fosfato duplo de urânio e de cobre). Será que poderia se encontrar um material mais radioativo que o urânio e o tório? [2] ou que a mistura de componentes mudasse as propriedades e aumentasse a radiação? A partir destas questões a Marie Curie sintetizou a calcolita no laboratório -misturou proporções das substâncias químicas puras- para verificar a existência de outro componente mais radioativo, a calcolita artificial se mostrou menos ativa do que o uranio puro, por tanto tinha outro elemento que era mais radioativo do que o urânio no mineral calcolita, e assim foi confirmada a hipótese da propriedade atômica, e sugeria que existia outro elemento mais radioativo do que o urânio. Isto, a levou a descoberta dos elementos polônio e rádio. A Marie Curie aplicou o método científico, ela propôs hipóteses e por meio de experimentação, conseguiu explicar os fenômenos. O uso do método elétrico, facilitou muito a experimentação desta cientista, o importante sempre é se questionar, e isso foi o que a levou a descoberta de novos elementos químicos. O sucesso dela foi dar atenção às anomalias, se preocupar por ir além e sempre se questionar. É interessante comparar a experimentação da Marie Curie, com o método indutivo do Hempel, se ela não tivesse testado os minerais e se tivesse conformado com um método indutivo, em que todo o que tem urânio ia a ter a mesma radioatividade e não ir além, nunca tivesse descoberto os novos elementos. Mas o pensamento dedutivo, fez ir além, se perguntar o porquê os minerais estavam aumentando a radiação. Por isso o método cientifico, deixa em evidencia que precisamos muita observação, para levantar os fatos, problematizando para depois chegar a propor ou criar uma hipótese, tomar decisões baseadas na experimentação e por último chegar a uma conclusão e se for possível, afirmar a hipótese, que foi o caso da Marie Curie, ela conseguir fazer todo o procedimento do método cientifico e demostrar que a radioatividade era uma propriedade dos elementos e com isto, conseguiu depois varias publicações e defender a sua tese.



A Marie Curie, é uma das maiores representações femininas na ciência, foi a primeira mulher a receber um prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes. Mais tarde a sua filha Irène ganhou o Nobel de Química pela descoberta da radioatividade artificial. Isso deixa a família Curie como a maior ganhadora de prêmios Nobel até agora. Marie Curie foi e será, uma das maiores representações femininas da ciência.

Por mais mulheres cientistas!

Referencias

[1] De Andrade Martins, Roberto. As primeiras investigações de Marie Curie sobre elementos radioativos. Revista da SBHC, 1/2003. Acesso em 9 de junho de 2020 em http://www.ghtc.usp.br/server/pdf/curie-a1.pdf

[2] Pugliese, Gabriel. Um sobrevôo no “caso Marie Curie”: um experimento de antropologia, gênero e ciência. Revista de antropologia, vol 50, pag. 347-385, Junho 2007.

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