• Luisa

Médicos e enfermeiros enfrentando a Covid-19




Nesses dias tive uma conversa com uma amiga (38 anos) que é médica e está nos Estados Unidos. Ela comentou algo muito importante que eu não tinha parado para pensar, e é que os médicos estão enfrentando uma nova maneira de tratar os pacientes, ela chamou de "tentativa e erro" uma vez que eles (me refiro a geração dos médicos dela) estavam acostumados a tratar pacientes com medicamentos que já existiam há décadas e que estavam cientificamente comprovados, o que os deixava confiantes no tratamento dos pacientes. E com o surto da Covid-19, a preocupação dos médicos aumenta, uma vez que eles tratam vidas! e acabam se sentindo frustrados em não ter tratamento. Eu pensei e percebi que deve ser uma situação muito difícil para eles (médicos) estar na frente desta situação, pois eles dependem das novidades que se tem dia a dia da doença e dos insumos (que estão acabando) que tenham disponíveis nos hospitais. Eu realmente senti ela muito preocupada com a situação, e de não saber ao certo como agir com o paciente, pois ainda não há nenhum medicamento específico para tratar ou prevenir a COVID-19. O pessoal da saúde (enfermeiros e médicos) que atendem pacientes correm um alto risco de se contagiar ou contagiar seus familiares, e isto tem gerado um desconforto em ir e voltar do trabalho, tem depoimentos de enfermeiros e médicos que choram antes de deixar o trabalho para não mostrar aos seus familiares a complexidade do assunto.

Em um depoimento que o médico cardiologista Alexandre Vergete (38 anos) fez para o UOL, conta que nunca tinha passado por nada parecido. Conta que é quase impossível os médicos não contraírem a Covid-19 e que ele precisou se afastar dos filhos para não correr o risco de infetá-los. A médica brasileira Caroline Hidal que trabalha na Alemanha conta que tiveram que fazer diversas modificações para atender corretamente os infectados, e ela conta que a rotina é muito cansativa e os médicos algumas vezes são insuficientes, tendo que aumentar o turno (em horas) dos que podem atender a pandemia. Ela diz que todos os dias recebem novas informações, se re-estruturam e adaptam as novas situações. A médica Claudia Lodesani, conta que apesar da Italia ter um sistema de saúde extremamente desenvolvido, entrou em colapso rapidamente pela quantidade de número de infectados ao mesmo tempo [1]. O problema, e que ainda nem todo mundo tem entendido, é que o nosso sistema de saúde podem entrar em colapso se deixarmos continuar o vírus se expandir tão rápido, e isso torna o trabalho dos médicos ainda mais frustrante, pois eles se veem obrigados a tomar decisões arriscadas sob altos níveis de estresse pelos longos turnos de trabalho [2]. A covid-19 pode desencadear uma das maiores crises na história nacional do sistema de saúde. Médicos e enfermeiros garantem que estão vivendo uma tensão nunca antes vista. Por isso, a medida de isolamento é uma medida necessária que tem funcionado em vários países, e quem puder ficar em casa, fique em casa, que assim estará ajudando e contribuindo na diminuição da disseminação da doença.


Depoimento da Claudia Lodesani, publicado no Journal de Brasilia:

“Antes, os serviços de saúde, tanto na Itália como na maior parte dos países europeus, eram focados no cuidado individual. Agora, eles têm que começar a pensar na saúde pública no contexto de uma epidemia. Fazer esse tipo de mudança é difícil para qualquer sistema de saúde. Eles precisam mudar a forma de pensar e agir, uma completa mudança de abordagem. Além disso, um fator comum nas epidemias é o número alto de pacientes que chegam aos hospitais ao mesmo tempo. Isso pode ter um impacto negativo mesmo nos sistemas de saúde de países desenvolvidos que não estão acostumados a lidar com esse número de pacientes.


Referências

[1] https://jornaldebrasilia.com.br/brasil/apos-esta-pandemia-o-mundo-sera-diferente-diz-medica/

[2] https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51968491




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